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A Verdadeira Alquimia

“Do longo sono secreto
Na entranha escura da terra,
O carbono acorda diamante.”
Helena Kolody* in Viagem no Espelho

A arte dos antigos alquimistas exercida dentro dos seus laboratórios consistia em acelerar processos que, se deixados ao sabor da natureza, talvez demorassem incontáveis anos, séculos, milênios.

Falar de alquimia é falar da possibilidade de transformações. A passagem de um estado para outro: a transmutação do denso em sutil. Segundo Jung o “copus subtile”, o corpo transfigurado da ressurreição, isto é, um corpo que fosse simultaneamente espírito. (Jung in Psicologia e Alquimia)

Quando iniciamos a viagem interior rumo ao autoconhecimento, pressupomos mudanças, transformações. Essa viagem, ao mesmo tempo maravilhosa e assustadora, pelos nossos universos interiores tem uma grande semelhança com o processo alquímico.

Vivenciamos de forma simbólica os mesmos processos citados nos textos dos antigos alquimistas, revendo através deles nossas costumeiras formas de ser e suas conseqüências.

Ainda citando Jung:
“… Tal como demonstram os textos, esses alquimistas tinham a consciência do efeito psíquico, a ponto de condenarem os ingênuos fazedores de ouro como mentirosos, trapaceiros ou extraviados. Proclamavam seu ponto de vista através de frases como esta: “aurum nostrum non est aurum vulgi” (nosso ouro não é o ouro vulgar). Seu trabalho com a matéria constituía um sério esforço de penetrar na natureza das transformações químicas.

No entanto, ao mesmo tempo era – e às vezes de modo predominante – a reprodução de um processo psíquico paralelo; este podia ser mais facilmente projetado na química desconhecida da matéria, uma vez que ele constituía um fenômeno inconsciente da natureza, tal como a transformação misteriosa da matéria.

A problemática acima referida do processo do desenvolvimento da personalidade, isto é, do processo de individuação, é expressa no simbolismo alquímico.”

A alquimia era também chamada de “arte espagírica”. Segundo Jung: “…a palavra ‘espagírica’ é formada pela união de dois radicais gregos: pao=separar, e ageiro=reunir; significa pois, “que separa e reúne”. (Jung in Mysterium Coniunctionis – Prefácio)

É nesse processo “solve et coagula” que separamos através da auto-observação os diferentes “eu´s” que compõem a nossa psique para integrá-los novamente de forma mais coerente e harmoniosa.

Cada encarnação, cada experiência vivida na carne é em si mesma um laboratório alquímico para o nosso espírito, lembrando que a palavra “laboratório” (labor + oratório) significa trabalho e oração. Aqui não cabe preguiça. Não basta, portanto apenas “orar” – acreditando que Deus ou os nossos amparadores espirituais irão fazer o trabalho que cabe a nós realizar.

Que a nossa fé, expressa em nossas preces seja então transformada em um sincero pedido de iluminação e amparo ao nosso “labor”.

Principalmente quando temos que vivenciar a nigredo: a noite escura da alma. Pois, que de toda a escuridão há de brotar a luz é no confronto com a nossa própria sombra que iremos reencontrar a luz de nossa própria alma. Não há como compreender Deus sem buscarmos compreender a nós mesmos.

É somente através da nossa alma que nos relacionamos com Deus.
“ ….ela (a alma) possui a dignidade de um ser que tem o dom da relação consciente com a divindade. Mesmo que se tratasse apenas da relação de uma gota de água com o mar, este último deixaria de existir sem a pluralidade das gotas” . (Jung in Psicologia e Alquimia)

Buscamos então ferramentas que nos auxilie no processo de autoconhecimento, que nos ajude a enfrentar as demandas da vida, de nosso ser, de nossos relacionamentos sem temor ou preconceitos. Seja através da psicoterapia,seja refletindo sobre temas espirituais sadios, o importante é não ter medo de iniciar a jornada.

Como dizia Fernando Pessoa:
“Hoje que a tarde é calma e o céu tranqüilo
E a noite chega sem que eu saiba bem
Quero considerar-me
E ver aquilo que sou
E o que sou
O que é que tem”

PAZ E LUZ NOS CAMINHOS DE TODOS!
Irene Carmo Pimenta
Maio 2009

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