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JUNG E OS CONTOS DE FADAS

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Você provavelmente cresceu ouvindo histórias sobre princesas, lobos maus e bruxas escondidas em florestas escuras. Por muito tempo, nós acostumamos a tratar essas narrativas como simples entretenimento infantil. Mas e se eu te dissesse que existe um universo muito mais profundo escondido debaixo de cada “Era uma vez”? 

Segundo Jung: “É nos Contos de Fadas onde melhor se pode estudar a anatomia comparada da psique.” 

Segundo Jung: “É nos Contos de Fadas onde melhor se pode estudar a anatomia comparada da psique.” 

Para Jung, os contos de fadas passam longe de serem apenas invenções bobas. Eles são os mapas mais precisos que temos para entender a anatomia da nossa alma. Segundo a psicologia analítica de Jung, essas histórias são a expressão mais pura do que chamamos de inconsciente coletivo. É como se eles fossem o “esqueleto” da nossa alma. Não importa se você está no Brasil, no Japão ou na Europa medieval: os temas de abandono, superação, florestas sombrias e magia aparecem nas histórias de todas as culturas, porque refletem medos e desejos que todos os seres humanos compartilham.

Na psicologia analítica (junguiana), você não olha para a história como se os personagens fossem pessoas separadas. Na verdade, cada elemento do conto representa um aspecto da alma de uma única pessoa (neste caso, você).

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O Herói ou a Heroína: Representa o nosso ego. É a nossa consciência em desenvolvimento, que precisa enfrentar desafios para amadurecer na vida real.

O Lobo, o Monstro ou a Bruxa: Simbolizam a nossa “Sombra”. São os nossos instintos reprimidos, os nossos defeitos ou aqueles medos que não queremos aceitar, mas que precisamos enfrentar para crescer.

A Fada Madrinha ou o Velho Sábio: Representam a nossa intuição. Eles sempre surgem na história quando o herói esgotou todos os seus recursos lógicos e não sabe mais o que fazer, mostrando que a cura muitas vezes vem de dentro do nosso próprio inconsciente.

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Pense bem: toda história começa com um problema. Um rei doente, uma maldição, uma crise de pobreza. Na realidade, isso representa um momento de estagnação na nossa mente. Para resolver isso, o protagonista precisa sair do conforto e entrar na floresta escura. A floresta é o símbolo universal do inconsciente, um lugar desconhecido onde perdemos o controle.

Quando o herói/heroína sai vitorioso(a) e há o clássico casamento no final, trazendo o famoso “felizes para sempre“, não estamos falando de um ideal romântico. Para Jung, isso é o símbolo da integração. Significa que o nosso lado consciente e os nossos instintos finalmente fizeram as pazes, trazendo a mente de volta ao equilíbrio.

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Portanto, da próxima vez que você se deparar com um conto de fadas, lembre-se: você não está lendo sobre um reino muito distante. Você está lendo sobre si mesmo.

NOTA: Se você se interessou pelo tema, indico aqui a obra de Marie-Louise Von Franz. Ela foi uma terapeuta junguiana, pesquisadora, escritora e uma das mais importantes colaboradoras e continuadora do trabalho de Carl Jung.

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