
A LENDA DO GIRASSOL
Na Psicologia Analítica, o sofrimento é compreendido como um catalisador profundo para o nosso desenvolvimento psicológico (um chamado para a *Individuação). Jung acreditava que os relacionamentos íntimos são o espelho…
Há cerca de 25 anos, a analista junguiana Irene Carmo Pimenta vem desenvolvendo o Projeto “Era uma vez… histórias pra gente acordar”.
O título: “Era uma vez…histórias pra gente acordar”, faz uma alusão ao hábito de se contar histórias para as crianças dormirem. O Objetivo é que a partir da análise do conteúdo, não só dos contos de fadas tradicionais, mas também dos mitos e contos de diversas culturas, o participante se aproprie dos elementos simbólicos existentes nos mesmos, utilizando-os como “ferramentas terapêuticas” para uma maior compreensão de si e do mundo.
Da mesma maneira que acontece nos sonhos, os Conto de Fadas são representações de acontecimentos de nossa psique.
A diferença é que nos sonhos as imagens simbólicas vêem permeadas de fatores de natureza pessoal – sua interpretação varia conforme a “história interior” do sonhador. Já os contos de fada trazem conteúdos simbólicos pertencentes a todos os homens, pois eles são a expressão mais pura e simples dos processos psíquicos do inconsciente coletivo
Eles têm origem nas camadas profundas do inconsciente, mas do Inconsciente coletivo – são comuns à psique de todos os seres humanos. É por isso que os temas dos contos de fadas aparecem e reaparecem de forma tão evidente em contos de inúmeros países. Em culturas que não tinham contato entre si, em épocas diferentes- com muito pouca variação.
As histórias são muito mais antigas do que a arte e a psicologia.
Assim como os mitos e as lendas, os contos de fada e as fábulas provêm do alvorecer da cultura humana e acham-se espalhados por todas as civilizações. A energia das histórias, é a energia da alma humana. Seus elementos pertencem ao mundo dos arquétipos.
Segundo Marie Louise von Franz *em Interpretação dos Contos de Fadas (ed. Paulus) os contos de fadas espelham a estrutura mais simples, ou o “esqueleto” da psique, e que suas muitas peças acabam por fundir-se, compondo os grandes mitos que expressam toda uma produção cultural mais elaborada.
O estudioso clássico E. Schwizer demonstra como, por exemplo, o mito de Hércules foi sendo aos poucos espontaneamente “montado” a partir de histórias separadas, todas temas centrais de seus respectivos contos de fadas.
Na linguagem dos contos, a análise vem de forma impessoal, mais purificada. Todas as pessoas têm temas a serem trabalhados, temas de construção e de destruição.
Cada história vai sensibilizar cada um de nós de um jeito diferente. Além disso, as histórias trabalham também a memória, o aspecto afetivo, psicológico e cognitivo.
Mesmo não falando de verdades objetivas e sim subjetivas, pois são narradas na linguagem dos símbolos, as histórias encantam a todos.
Muitas não passam pelo crivo do racional, mas permitem que sejam acessadas camadas profundas do inconsciente, fazendo ressoar elementos que ali se encontram, ajudando-os, como nos sonhos a ganharem luz e consciência.
Talvez aí resida o grande mistério e fascínio exercido pelas histórias, pelos contos de fadas.

Na Psicologia Analítica, o sofrimento é compreendido como um catalisador profundo para o nosso desenvolvimento psicológico (um chamado para a *Individuação). Jung acreditava que os relacionamentos íntimos são o espelho…

Os contos de fadas sempre me fascinaram. Minha mãe foi uma boa contadora de histórias e isso de certa forma contribuiu para que eu me tornasse uma leitora voraz desde a mais tenra idade. O conto “Rapunzel” sempre despertou meu interesse. Meu Conto de Fadas favorito. O poema que eu