
Na Psicologia Analítica, o sofrimento é compreendido como um catalisador profundo para o nosso desenvolvimento psicológico (um chamado para a *Individuação).
Jung acreditava que os relacionamentos íntimos são o espelho mais poderoso da nossa própria psique. Quando sofremos por amor, estamos, na verdade, sendo forçados a confrontar partes de nós mesmos que desconhecíamos.
Segundo ele: “Não há despertar de consciências sem dor”. O sofrimento amoroso é, muitas vezes, o momento exato em que a psique diz: “Você estava buscando a sua completude no outro. Agora, você precisa encontrar isso dentro de si”.
O que a lenda nos conta:
Clítia era Ninfa das Flores e amava Hélios, o Deus Sol e é rejeitada por ele. Imersa na mais profunda dor ela definha, e acaba criando raízes e renascendo como um girassol.
Na alquimia, existe uma fase chamada Nigredo (a escuridão). No amor, a Nigredo é a fase da crise, da dor, da traição, do distanciamento ou do término. Para Jung, essa escuridão e esse sofrimento são etapas absolutamente necessárias para que a relação (ou o indivíduo, caso a relação termine) evolua para um estado superior de consciência. O ouro não pode ser forjado sem passar pelo fogo.
A lenda nos ensina que, apesar da dor causada por uma perda amorosa, é possível transformar essa dor em algo que nos faça seguir em direção a Luz da nossa própria Consciência.
NOTA: *O objetivo final de toda a psicologia de Jung é a Individuação — o processo de se tornar uma pessoa inteira, indivisível e consciente de si mesma.
Irene Carmo Pimenta
TEXTO: Irene Carmo Pimenta
Imagens: Internet:
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